Suspeitas de Febre Amarela em SC são investigadas

Suspeitas de Febre Amarela em SC são investigadas

A diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde de Santa Catarina afirma que de 1º a 18 de Janeiro de 2018, foram notificados cinco casos suspeitos de Febre Amarela no Estado.

Segundo as informações, os casos estão sob investigação, pois em todas situações, os pacientes tiveram deslocamento para áreas com transmissão fora de Santa Catarina. Neste primeiro momento, é necessário aguardar resultados de exames laboratoriais. Desses, dois casos evoluíram para óbito, um residente em Gaspar e outro morador de Lajeado Grande. Ambos com histórico de viagens para São Paulo.

Os exames são realizados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Paraná, laboratório de referência em Febre Amarela para Santa Catarina, e os resultados podem levar até 20 dias para serem liberados.

Casos de Febre Amarela alertam para o desmatamento

Autoridades, Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e Minas Gerais estão vigilantes. Não é para menos, já foram registradas 38 mortes de Febre Amarela Silvestre no Brasil. A doença é causada por um vírus inoculado no nosso corpo proveniente da picada de um mosquito, e que pode levar a morte.

As causas desse fenômeno epidemiológico podem estar diretamente relacionadas ao avanço urbano para as áreas de mata e regiões agrícolas, como muitos especialistas já vêm alertando. Com o meio ambiente em desequilíbrio, muitas formas de doenças antes erradicadas ou que não se manifestavam mais podem voltar a surgir, comprometendo a saúde pública e levando a uma série de impactos no equilíbrio do planeta.

Na região Sul, vêm ocorrendo algumas ações de prevenção. Em Santa Catarina, o último caso registrado foi em 1966, mas a Secretaria recomenda a imunização em 162 cidades do estado. No Rio Grande do Sul, por exemplo, que não registra casos há 10 anos, a prevenção é intensa. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado, a cobertura atinge cerca de 70% da população. No Paraná, o único registro de contágio da febre amarela foi em Laranjal, no interior, em 2008. Mesmo assim, pessoas que têm viagem marcada para regiões afetadas estão procurando os postos de saúde para tomar a vacina.

Estamos vivendo uma epidemia ou são apenas casos isolados da doença? Quais são os sintomas? As pessoas ainda têm muitas dúvidas.

Segundo Rodrigo Berté, diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional – UNINTER, o vírus que causa a Febre Amarela Urbana e a Silvestre é o mesmo, o que significa que os sinais, os sintomas e a evolução da doença são exatamente iguais. A diferença está nos mosquitos transmissores e na forma de contágio. Os transmissores da Febre Amarela Silvestre são mosquitos Haemagogus e o Sabethes, que vivem em matas e beira de rios. Eles picam macacos contaminados e, depois pessoas. Por isso, há casos de muitas mortes de macacos em regiões acometidas pela doença. Já a Febre Amarela Urbana é transmitida pelo conhecido Aedes Aegypti, e não são registrados casos no Brasil desde 1942.

A vacinação é muito importante. Trata-se de um mecanismo de prevenção essencial, porém, o cuidado que se deve ter daqui para frente é para que a febre amarela silvestre não se torne urbana, uma vez que as regiões onde ocorreram as mortes de macacos ficam a menos de 30 km do centro de São Paulo, por exemplo. As autoridades públicas dos órgãos de Saúde correm para que os casos não se alastrem. Mas, se pensarmos um pouco, a verdadeira prevenção deve começar na promoção de políticas ambientais que proíbam o desmatamento descontrolado. Caso contrário, cada vez mais teremos o ressurgimento de doenças antes erradicadas.

Febre amarela em Santa Catarina

De 1º a 18 de Janeiro deste ano, quatro epizootias foram registradas em Santa Catarina, com quatro primatas não humanos (macacos) envolvidos (ainda em investigação). De acordo com a Gerência de Zoonoses da Dive/SC, houve coleta oportuna de amostras em 03 deles, cujos resultados estão sendo aguardados. No mesmo período, cinco casos humanos suspeitos de febre amarela estão sendo investigados no estado, aguardando resultado laboratorial. Santa Catarina não registra casos autóctones de febre amarela em humanos desde 1966.

Vigilância de epizootias 

Os primatas não-humanos (PNH-macacos) são como sentinelas da febre amarela. Por viverem no mesmo ambiente que os mosquitos transmissores (Haemagogus e Sabethes) em área silvestre (restrito às matas), os macacos são os primeiros a adoecer alertando para uma possível circulação do vírus da febre amarela naquela região. Daí a importância em comunicar imediatamente às autoridades municipais de saúde, pois na ocorrência da morte ou adoecimento destes animais, amostras devem ser coletadas em até 24 horas para análise. Alterações no comportamento ou queda repentina no número de macacos em determinada área também devem ser informados. A população pode colaborar para essa vigilância, especialmente quem mora em área rural ou próximo a áreas de mata.

Saiba mais em www.dive.sc.gov.br/febre-amarela

 

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