Em SJB, Bethânia qualifica três homens em Panificação Básica

Em SJB, Bethânia qualifica três homens em Panificação Básica

Uma tarde de emoção e muita alegria foi vivenciada na Comunidade Bethânia, nesta quarta-feira, 10, no recanto São João Batista (SC). Com a presença do professor do Centro de Referência em Formação e EAD do Instituto Federal de Santa Catarina, Olivier Allain, três filhos acolhidos receberam a certificação do Curso de Qualificação Profissional em Panificação Básica.

A formatura ocorreu no auditório do recanto e contou com a presença dos padres Lúcio Tardivo e Elinton Costa, vereador Betinho Souza, professora do curso Kátya Zunino, consagrados de todos os recantos da Comunidade, dos filhos e filhas, e claro, dos formandos Gabriel Cardeal Jofe, Graziela Mortari Menta e Felipe de Souza.

A parceria com o IFSC foi firmada em meados de junho, quando a professora e Amiga de Bethânia participou de uma capacitação na sede da entidade. E, em 21 de agosto, iniciou a primeira turma.

Kátya, que é confeiteira, conta que foi um desafio ministrar aulas na área da panificação, mas prontamente aceitou o convite. “Eu amo essa Comunidade e estar aqui me faz bem. Por isso, quis abraçar esse projeto com eles”. Para ela, a parceria com o IFSC também foi fantástica, pois foi a entidade que a capacitou e deu todo apoio técnico para ajudar os alunos. “A parceria foi muito gostosa. Tudo que vivemos nesses dois meses foi muito intenso. Muito mais do que ensiná-los, eu pude aprender com eles. Estou muito feliz”.

O professor Olivier Allain afirma que o sentimento que teve foi de orgulho e alegria ao ver concretizado o projeto Bethânia. “Tivemos o privilégio de contar com a professora Kátya para fazer a oficina. Ela passou por uma capacitação no Campus Continente com a professora Patrícia. Então ela precisou aprender a dar aula de panificação para ensinar os filhos. E pelo jeito se saiu muito bem”.

Ele salienta que o IFSC acredita muito na qualificação profissional como um transformador na vida das pessoas. E, ao perceber que esse também é o desejo da Comunidade Bethânia, sentiu-se a necessidade de ajudar, nem que fosse um pouco. “Mesmo sabendo que a Comunidade agora tem capacidade de se virar sozinha, queremos continuar ajudando. E que isso seja apenas o começo de outras qualificações e formações para os filhos de Bethânia”.

Autoestima renovada

Os filhos acolhidos que participaram do projeto são aqueles que estão na etapa de reinserção social, um dos grandes focos da Comunidade. O responsável técnico, Pierre Patrick Pires, explica que a parceria com o IFSC é muito importante, pois assim, Bethânia consegue oferecer cursos breves, devido ao tempo em que os filhos ficar na entidade. “Já temos panificação, jardinagem e outras atividades no recanto, mas não tínhamos uma certificação que desse acesso ao mercado de trabalho”.

Além de qualificar aquilo que os acolhidos já fazem dentro da Comunidade, Pires acrescenta que é uma forma também de trabalhar a autoestima, a capacitação profissional e de projeto de vida. “É também um momento, em que como turma, podem retomar ao valor estudo, ao conhecimento. E o nosso desejo é que eles queiram buscar isso também de alguma forma lá fora, depois da experiência aqui”. A acolhida Graziela Mortari Menta, foi uma das alunas formadas no Curso de Qualificação Profissional em Panificação Básica. Desde 2016 ela é filha de Bethânia, mas nunca havia participado de nenhum curso profissionalizante. “Para mim é algo totalmente novo e foi muito bacana, porque sempre tive muita resistência com gastronomia. Em minha casa ninguém cozinha. A minha mãe sempre brinca que sabe ferver uma água e tanto”.

Participar da oficina foi desafiador para a filha, que precisou sair da zona de conforto. “Foi muito além do que eu esperava. Não sei se quando sair daqui usarei profissionalmente, mas só pelo fato de eu desmistificar isso, de entrar na cozinha e fazer alguma coisa e não só ferver uma água, já é muito para mim”, diz. Graziela agradece ainda a oportunidade que Bethânia dá aos filhos, pois observa como um incentivo no processo de restauração.

O vice-presidente da Comunidade Bethânia, padre Lúcio Tardivo, diz que o curso de qualificação traz muitos elementos os filhos poderem usar depois e trilharem seus caminhos fora da entidade. “É uma força que damos a eles e que agora podem trabalhar sua reinserção na sociedade”.

O sacerdote agradece o apoio, em especial do IFSC, pela confiança no trabalho da Comunidade Bethânia. “Sempre juntos caminhamos para que nossos filhos possam ter uma vida melhor, profissional, cheia da graça de Deus”.

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